DEBATE - As emoções e a aprendizagem
A escola é o espaço onde despejam as mais diferentes relações e práticas sociais. Numa sociedade acostumada com a frieza da competitividade e a busca incessante pelo resultado, o ambiente escolar acaba não considerando as emoções e os sentimentos, enquanto aspectos inseparáveis do processo de aprendizagem dos indivíduos.
Sobre o tema, a psicóloga e professora universitária Denise de Camargo, propõe-se a refletir, na condição de pesquisadora sobre o assunto e autora do livro “As emoções e a escola”, lançado pela editora curitibana Travessa dos Editores.
A defesa da doutora Denise de Camargo gira em torno da centralidade da escola como sendo o espaço onde ocorre a partilha de emoções, vontades, desejos, aspirações e frustrações, que demonstram os mais deferentes estados psicológicos de cada aluno. Não raro, os educadores enxergam sentimento e conhecimento como elementos que se excluem. Trata-se, pois, de aprofundar o entendimento sobre um processo vital para o desenvolvimento da aprendizagem e da formação da própria identidade, geralmente subestimados pelos docentes.
No livro que norteia as reflexões sobre a problemática, Denise de Camargo apresenta a versão de sua tese acadêmica, onde estuda diversos depoimentos de filhos de pequenos comerciantes, empregadas domésticas e trabalhadores braçais, na faixa etária entre 12 e 15 anos, matriculados nas escolas públicas da capital do Estado e escolhidos de forma aleatória. Os alunos relatam as suas percepções e vivências na sala de aula, fazendo crer que a emoção, sentimento presente em todas as pessoas, quando desprezada ou mal avaliada por parte dos professores, pode interferir de maneira negativa na aprendizagem dos alunos.
A pesquisa mostrou, também, conforme a sua realizadora, que a evolução e o comportamento dos estudantes estão relacionados aos sentimentos que eles constroem por seus professores. Quer dizer, o aluno irá gostar ou não gostar de determinada disciplina escolar, conforme a relação afetiva que mantém com o professor que aplica a referida matéria.
E não é um assunto de menor importância, mesmo diante das múltiplas carências e necessidades das escolas públicas e do próprio sistema educacional. A saber: em 90% dos casos de alunos do ensino fundamental e médio, considerados por seus professores com demonstrações de algum tipo de disfunção, como retardo mental, dislexia ou hiperatividade, na verdade, a dificuldade desses estudantes situa-se no campo sentimental, das suas emoções.
Denise Camargo nasceu em Curitiba , Paraná, em 1951. É Doutora em Psicologia Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo — PUC/SP, título obtido em 1987, com a tese As emoções no processo de aprendizagem . Antes, em 1988, concluiu o Mestrado em Psicologia também pela PUC-SP, quando apresentou a dissertação Representação Social . Aos dois títulos de graduação, Licenciatura em Psicologia e Formação de Psicólogos, obtidos na PUC-PR, em 1974 e 1975, respectivamente, ela acumula ainda uma especialização em Antropologia, concluída em 1976, na Universidade Federal do Paraná.
Entre sua produção científica destacam-se trabalhos completos e resumidos publicados em anais de eventos nacionais, artigos completos publicados em periódicos e capítulos de livros, sempre relacionando Educação e Psicologia. Fez parte dos projetos técnicos para a implantação da Universidade Popular do Trabalho do Paraná, em 1987; do Estudo e Proposta de Modificação Curricular do Primeiro Grau da Rede Municipal de Ensino de Curitiba, em 1986; e da Proposta Pedagógica para a Pré-escola, em 1978.
Leia a resenha do livro “As emoções e a escola”, escrita por Andréa Vieira Zanella, doutora em Psicologia da Educação. Clique aqui.
Leia trecho do livro “As emoções e a escola”. Clique aqui.
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